REFLEXÃO
E AÇÃO
Nesta unidade discutimos a
formação da área de Linguagens, o conceito de linguagem e apresentamos os
conhecimentos da área. Agora vamos refletir um pouco sobre esses temas
através da discussão do filme O enigma de Kaspar Hauser, do diretor
alemão Werner Herzog, que você pode assistir em: https://www.youtube.com/watch?v=MxpuYFouR70.
Consideremos a seguinte ordem na atividade:
1) Assistir ao filme,
procurando observar e anotar, quais são as relações entre linguagem e construção
da realidade; como as práticas de linguagem estão atreladas aos contextos
sociais e históricos; como os conhecimentos de linguagem listados acimas
aparecem no filme.
2) Em roda de discussão,
comparar as anotações e reflexões.
3) Ainda no grupo, discutir a
relação entre imposição e opção na linguagem e entre reprodução e mudança
social.
·
Observem
a sinopse do filme distribuída no encontro anterior.
Resumo do filme “O Enigma de Kaspar Hauser
O Enigma de Kaspar Hauser é uma das
mais famosas obras cinematográficas do diretor Werner
Herzog (Alemanha, 1974). Kaspar Hauser, em tradução literal,
significa "cada um por si e Deus contra todos". É um filme denso, que
nos mostra uma visão sobre a humanidade e faz uma reflexão sobre a unicidade do
ser humano, da história de vida e experiências de cada um, e sobre o quanto
linguagem e cultura representam para o desenvolvimento psicológico do
indivíduo.
Kaspar Hauser, um personagem real e enigmático que,
quando encontrado em Nuremberg, em 1928, com supostamente 15 anos, quase não
sabia falar, nem andar e não se comportava como humano, pois desde a mais tenra
idade, foi privado do convívio social. Sua trajetória de vida é o triste
resultado de sua carência de cultura e do
não desenvolvimento da linguagem. O total isolamento na caverna por tanto
tempo, impactou fortemente sua formação como indivíduo.
Muito tempo após sua reintegração na sociedade, já com a
linguagem mais desenvolvida, percebe-se ainda a dificuldade de Kaspar Hauser em
entender às pessoas e suas reações. Enquanto privado do convívio social, o
silêncio era sua única companhia. Não somente a ausência de vozes externas, mas
o silêncio interno, da mente vazia. Kaspar Hauser não poderia conhecer a si
mesmo sem ter alguma relação interpessoal, sem referências. Não havia a
linguagem para que ele pudesse definir as coisas que via e experimentava no
cativeiro.
Sinopse
O filme apresenta Kasper Hauser em diversos momentos de
sua vida e como se dá o desenvolvimento mental após o cativeiro.
No cativeiro, Kaspar Hauser aparece acorrentado, vítima
de um homem com capuz, cujo rosto não pode ser visto, que lhe alimenta com pão
e água e lhe ensina algumas palavras. Kaspar Hauser viveu nessa situação até o
dia que esse homem, única figura humana com quem tinha contato, decide tirá-lo
do cativeiro e ele então começa a aprender a andar. Esse mesmo homem o abandona
em uma praça de Nuremberg, Alemanha. Kaspar Hauser fica atônito até ser
encontrado por outro homem que lhe faz uma série de perguntas que ele não
consegue compreender.
Logo a notícia da presença estranha daquele rapaz se
espalha e Kaspar Hauser se torna alvo da curiosidade dos habitantes da cidade.
Como as autoridades não conseguiram decifrar o enigma, Kaspar Hauser passa a
viver em um estábulo sob a contínua observação das autoridades que só tinham as
informações que o rapaz portava ao ser encontrado: um rosário, umas orações
católicas manuscritas e uma carta que mencionava seu nome, a data de seu
nascimento e a indicação de que ele deveria se tornar um cavaleiro tal como seu
pai, cuja identidade não é revelada.
Em outro momento do filme, inicia o contato de Kaspar
Hauser com a sociedade. As autoridades perceberam que ele só se alimentava de
pão e água e que seus pés estavam feridos. Descobriram também que ele era capaz
de reproduzir seu nome (um rudimento de escrita). Diagnosticaram seu caso como
uma mente confusa que não poderia ser submetida a um inquérito policial e
decidiram mandá-lo para a prisão junto com outros vagabundos.
Seu primeiro contato em um ambiente social é com a
família do guarda do presídio e se dá através do filho do guarda, que o ensina
a pronunciar as palavras com auxílio de um espelho. É com essa família que
Kaspar Hauser toma seu primeiro banho e aprende a usar os talheres. A filha do
casal tenta ensinar música para Kaspar Hauser e, apesar da dificuldade com a
letra da melodia, ele se identifica com os sons. Kaspar Hauser tinha mais
afinidades com animais e crianças.
As autoridades continuaram a investigação para saber mais
sobre Kaspar Hauser, mas os gastos para mantê-lo longe da sociedade estavam
altos e, então, decidiram enviá-lo para um circo.
Nesse novo momento, o filme apresenta as agruras e
humilhações pelas quais passou Kaspar Hauser durante o tempo que esteve no
circo. Ele é apresentado em espetáculos como uma aberração junto com outros
indivíduos que também são especiais, cada um de uma forma diferente. Todos
conseguem fugir do circo, correndo das pessoas que querem caçá-los. Kasper
Hauser se esconde em uma cabana e é encontrado por um professor.
Após esse primeiro encontro com o professor Daumer,
passam-se dois anos e Kaspar Hauser aparece como filho adotivo do professor. A
cena mostra o professor e Kaspar Hauser assistindo a um jovem cego, Florian,
tocar piano. Kaspar chora de emoção, pois a música o sensibiliza. Kaspar Hauser
se sente envelhecido e cansado de tentar aprender coisas que para ele são
difíceis e muitas vezes, sem sentido. O professor o consola e tenta reanimá-lo
dando como exemplo o jovem Florian, que apesar de cego e de ter perdido toda a
família em um acidente, não desanimou e toca piano o dia todo.
Após esse episódio, o filme passa a outro momento e
Kaspar Hauser aparece tomando chá com os padres. Os religiosos estão
interessados em saber o quanto o rapaz conhece de Deus. Kaspar Hauser os
surpreende dizendo que não consegue imaginar que Deus tivesse criado tudo o que
existe no mundo a partir do nada. Os padres tentam convencê-lo a crer através da
fé e mais uma vez Karpar Hauser, em sua simplicidade e inocência, esclarece com
muito bom senso, que precisará melhorar sua leitura e sua escrita para,
posteriormente, compreender o restante.
Em todos os momentos do filme em que Kaspar Hauser é
confrontado por alguém, ele se mostra muito mais sensato e lógico do que os
homens educados.
Quando Kaspar Hauser é convidado para sua primeira festa,
mais uma vez se torna uma atração para os convidados. Kaspar é informado que o
lorde que o convidou tem a intenção de adotá-lo e levá-lo para a Inglaterra.
Porém, Kaspar Hauser não consegue causar uma boa impressão ao lorde e não se
sente bem no ambiente festivo.
Em outro momento importante da trama, Kaspar Hauser sofre
um atentado. Sua fama começa a incomodar algumas pessoas. Durante o atentado,
Kaspar não se defende e nem pede ajuda. Machucado, procura um local escuro para
se esconder, como se quisesse retornar ao seu tempo de cativeiro, quando não
era atormentado pelos homens. Mais uma vez, Kaspar Hauser é auxiliado pelo
professor Daumer, que o leva para casa e cuida para que ele se recupere. Kaspar
Hauser tem delírios onde se encontra com a morte.
Pouco tempo depois, Kasper Hauser sofre um segundo
atentado. Mesmo machucado, procura pelo professor Daumer e conta o que se
passou. No local do episódio, o professor encontra um saco com um bilhete que
sugeria o motivo pelo qual Kaspar Hauser havia sido atacado e fica subentendido
que o atacante poderia ser seu pai. A verdade sobre a origem de Kaspar Hauser
fica para sempre em segredo.
Kaspar Hauser morre rodeado por aqueles que lhe foram
mais próximos durante sua curta trajetória de vida em sociedade. Após sua
morte, ele é levado para autópsia, cujo relatório aponta uma anormalidade no
cerebelo que afetou seu desenvolvimento intelectual, acreditando as autoridades
que haviam encontrado as respostas a todas as questões pendentes em torno desse
homem diferente, Kaspar Hauser.
Essa obra do diretor Herzog é repleta de simbolismos.
Podemos estudar as experiências vividas por Kaspar Hauser pela ótica tanto das
ciências médicas como das sociais. A importância do aprendizado da linguagem
para o bom relacionamento interpessoal é o fator que mais chama a atenção.
Kaspar Hauser menciona em uma de suas falas:
- Tenho que aprender a ler e a escrever para depois poder
compreender.
Conhecer o mundo pela linguagem, por signos linguísticos,
parece não ser suficiente para Kaspar Hauser. Vygotsky insiste que o pensamento
e a linguagem se originam independentemente, fundindo-se mais tarde no tipo de
linguagem interna que constitui a maior parte do pensamento maduro. (Saboya,
2001 – p.5)
Kaspar Hauser não passou por um processo de socialização,
onde exercitaria a compreensão através da prática social, não consegue atribuir
significado às coisas, mesmo tendo adquirido a linguagem. Assim, analisando o
caso de Kaspar Hauser, somos levados a pensar que não apenas o sistema
perceptual, mas as estruturas mentais e a própria linguagem são resultantes da
prática social, ou seja, as práticas culturais "modelam" a percepção
da realidade e o conhecimento por parte do sujeito. (Saboya, 2001 – p. 6)
(RESUMO RETIRADO DA INTERNET)
2 - ATIVIDADE PÁGINA -41
Ao
longo desta unidade, promovemos reflexões em torno do fazer pedagógico e
sua relação com o currículo, sob diversas perspectivas. Retomando as
reflexões teóricas sobre a atividade educativa na atualidade, influenciada
pelos impactos das tecnologias digitais, bem como as considerações de
Libâneo aqui abordadas sobre a pedagogia como forma de humanização das pessoas,
considere:
1.
Discuta com um grupo de colegas as implicações dessas ideias para o seu
componente curricular.
2.
A partir das discussões com seu grupo, reflitam em conjunto sobre a
metáfora da árvore e o fazer pedagógico. Procurem identificar algumas
práticas (recorrentes) dentro de seu componente. No contexto das folhas,
abordem as técnicas mais usadas e articulem-nas às práticas, às ideias,
pensamentos e valores que as norteiam, ou seja, ligando-as à raiz
(filosofia educacional) e ao tronco (pedagogia).
3.
Por fim, discutam qual é a relação do que foi levantado com a formação
humana integral dos estudantes.
REGISTRO FOTOGRÁFICO
ATIVIDADES
PACTO
PARA O FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO
2ª
ETAPA
10/12/14
– Esc. E.E.F.M. Compositor Luis Ramalho
SEGUNDA
ETAPA: CADERNO IV – LINGUAGEM
Cursistas
: Profº Armando – Fátima – Edna –
Shirley - Paulo
REFLEXÃO E
AÇÃO
O homem por
natureza é um ser social que precisa, tanto do ponto de vista social como
biológico, está inserido dentro de um grupo e vivendo em sociedade, são
condições de sobrevivência da espécie humana. É interessante notarmos que o
homem é um ser social por natureza, sendo, que isso só se torna real quando
esse está vivendo em sociedade.
Ao observar
e tentar analisar o filme Enigma de Kaspar Hauser, de Vospar Hanser, podemos
perceber que as relações entre linguagem e construção da realidade são
praticamente inexistentes devido a ausência de convivo social. Kaspar Hauser
não passou por um processo de socialização, onde exercitaria a compreensão
através da prática social, não consegue atribuir significado às coisas, mesmo
tendo com o tempo adquirido a linguagem. Assim, analisando o caso, somos
levados a pensar que não apenas o sistema perceptual, mas as estruturas mentais
e a própria linguagem são resultantes da prática social, ou seja, as práticas
culturais "modelam" a percepção da realidade e o conhecimento por
parte do sujeito.
O filme tem
um enredo dramático, que se justifica pelo levantamento das consideração a
ideia de que o filme é uma construção sobre a realidade que articula palavra,
som ,imagem, movimento, se tornando, portanto, uma maneira de compreender
comportamentos, visões de mundo, valores, identidades, ideologias de uma
sociedade, etc. Este filme reflete e ilustra um movimento, a principio,
pitoresco: a possível existência de um homem sem sociabilidade, sem nenhum
contato social, para que a partir dessa problemática, chegássemos ao debate de
questões sociológicas.
Esse Filme
tem como finalidade mostrar o comportamento psicológico e social do indivíduo,
que por sua vez ficou preso toda sua vida numa masmorra de isolamento social,
trazendo-lhe consequências graves de integração social. O impacto do isolamento
por anos termina por afetar fortemente a formação desse individuo, que jamais
poderia ser um ser normal dentro dos limites empregados pela sociedade, que nem
o compreendia como ser humano.
SECRETARIA
DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DA PARAÍBA
EEEFM
COMPOSITOR LUÍS RAMALHO
FORMAÇÃO
DE PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO/ SISMÉDIO 2014
GRUPO: 01 – Marquidove; Janaína,
Alda e Maria José Tavares
ETAPA
II – CADERNO IV – LINGUAGENS
ATIVIDADE COLETIVA- Reflexão e Ação
– página 14
No “Enigma
de Kaspar Hauser” foram observados algumas relações entre a linguagem e a
construção da sociedade, a saber que o grande problema de Kaspar Hauser está
atrelado ao cativeiro, uma vez que seu estado de solidão e total privação de
convívio social fez com que não tivesse acesso a conhecimentos linguísticos que
é essencial para o crescimento intelectual
de um ser.
Com toda
essa problemática ele consegue após a saída do cativeiro, aprender a andar a
reproduzir seu nome, pronunciar palavras com
o auxílio do espelho, aprender música e encanta-se com a melodia do
piano. Ao jovem Kaspar Hauser foi imposto a priori a repetição de sons, de
objetos e traquejo social. Momentos mais tarde, em discussão com religiosos foi
imposto a acreditar em que Deus criara tudo do nada. Porém, o mesmo munido de
inocência retrucou aos religiosos que era necessário melhorar a sua prática de
leitura e escrita, para poder compreender melhor o mundo. Quanto a reprodução
isso os habilitava nas mudanças sociais, quanto ao comer, andar e ouvir música,
mas se sentia cansado de aprender coisas que para ele era difícil. Isto nos faz
crer que o quanto a linguagem e a cultura representa para o desenvolvimento
psicológico do indivíduo, e quando privado destas as consequências são danosas,
pois a linguagem nos oferece um leque de opções e mudanças e reescreve a
história de nossas vidas.
ATIVIDADE COLETIVA- Reflexão e Ação
– página 41
1- Fizemos uma
reflexão sobre a temática, trabalho, cultura, ciência e tecnologia, procurando
evidenciar as inter-relações que mantêm entre todos esses fenômenos sociais
para o desenvolvimento curricular, buscando expandir a compreensão dos
estudantes nas relações humanas, em especial na relação de trabalho,
articulando com a cultura contemporânea.
A linguagem cumpre um papel ideológico, muitas vezes
encobrindo a realidade em que vive o sujeito em
especial no mundo do trabalho. Não podemos desvincular o fazer pedagógico
ao momento político, econômico e socioculturais pós-moderno em vivemos.
Libâneo2010) os ressalta alguns pontos, entre eles que “os educadores devem
ajudar os estudantes a construírem seus próprios quadros valorativos a
partir do contexto de suas próprias culturas, não havendo valores com sentido
universal. Os valores a serem cultivados dentro de grupos particulares são a
diversidade, a tolerância, a liberdade, a criatividade, as emoções, a intuição”.(LIBÂNEO,
2010, p.27-28).
2 - Exposição
oral, pesquisar em jornal ou impressos, atividade em grupos, em pares, escrita
colaborativa, tais práticas tem que ser sustentadas pelo tronco que corresponde
a pedagogia, que por sua vez é fixada pela raiz que representa a
história/filosofia da educação. A prática, a pedagogia e a filosofia da
educação tem que estar interligadas e interagindo como uma árvore, em todo o
seu contexto.
3 – Que para o desenvolvimento humano integral dos estudantes
as formas avaliativas ou de avaliação seja elas somativa, diagnóstica, sondagem
ou formativa, não ocorre de forma isolada mas sim, como uma atividade complexa,
refletindo sobre o que fazemos, como fazemos, e do para que fazemos, da forma
como fazemos. Não existe métodos perfeitos, mas as nossas escolhas pode ter na
vida dos estudantes impactos na sua vida social, cultural e em todo o contexto
educacional.
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO E CULTURA DO
ESTADO DA PARAÍBA
ESCOLA
ESTADUAL COMPOSITOR LUÍS RAMALHO
PACTO
PELO FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO-PACTO
ORIENTADORA:
PROFESSORA ANA BETÂNIA
CADERNO
IV
GRUPO
II: Diego Soares de Souza, Mônica Maria F. de S. Nascimento,
Maecelle Marques da Silva, Shirley Emanuele do Nascimento Silva .
ATIVIDADE DA PÁGINA 14
Embora pareça ser baseado em fatos
fictícios, o filme O enigma de Kaspar
Hauser (Jeder für sich und Gott gegen alle, Werner Herzog, 1974) relata uma
história verídica ocorrida na Alemanha do século XIX: a aparição de um estranho
jovem que não compreendia as regras e códigos de relações sociais. A que tudo
indica, o jovem nomeado como Kaspar Hauser passou os primeiros anos de sua vida
preso em uma masmorra, sem ter nenhuma espécie de contato social. Ele teve sua
nutrição carente que refletiu em seu aspecto frágil subdesenvolvido. Contudo, o
fato impressionante nesta história não se resume às capacidades físicas, mas
sim à desenvoltura social, e esse é o motivo de nossa reflexão.
O
filósofo grego Aristóteles dizia que o homem é um ser político por natureza.
Fora da vida em sociedade ou ele seria uma espécie de Deus ou de idiota. O caso
de Kaspar Hauser representa essa última hipótese e comprova a tese do
peripatético. O jovem alemão, longe de ser um Deus, era, em vista dos padrões
sociais da época, um tremendo idiota: não falava, não expressava sentimentos e
não interagia socialmente. Parafraseando outro filósofo, o inglês John Locke, a
vida social do rapaz era uma espécie de quadro em branco, no qual inexistia o
mais elementar dos sentimentos, tal como o afeto familiar.
No
segundo momento do filme, temos a
desmistificação dessa tese, onde o jovem é adotado e passa por um processo
pedagógico rigoroso. Quase como um objeto de estudo científico, o mesmo passa a
ser educado nas mais diversas áreas do saber, desde as práticas, como a
jardinagem, até mais abstratas como a filosofia, lógica e teologia. O jovem,
que até então não sabia o mínimo dos códigos linguisticos, desenvolve as
aptidões necessárias para a vida em sociedade.
Kaspar Hauser, mesmo após o processo de
letramento e de formação, ainda não compreendia alguns temas, seja porque fossem,
incompreensíveis como Deus, natureza humana, sentimentos – embora a vida
cultural nos diga que são simples; até regras próprias da etiqueta e da moral.
Assim, aquele jovem que fora formado tardiamente, se via depressivo e
nostálgico de um estado natural, no qual não havia preocupações, mas sim,
contemplação das coisas em sua simplicidade.
Diante desta situação deparamo-nos com
uma pergunta: até que ponto as linguagens e seus códigos são eficazes como
elementos de formação e sociabilidade humana? Poderíamos utilizar o exemplo do
filme e transportá-lo para a sala de aula, afim de nos levar a um
questionamento sobre a validade e eficácia dos códigos. Será que de fato nossa
linguagem cumpre seu papel? Será que consegue comunicar efetivamente todos os
significados dos fatos sociais e dos fenômenos que percebemos? Ou também, há
uma linguagem ou linguagens?
Sendo assim, fazendo uma ligação entre o
relato do filme e o cotidiano escolar, percebemos que se faz necessário
fazermos algumas reflexões a cerca do tema abordado, pois os mesmos apontam
para o paradigma de uma educação plural e integral do indivíduo.
ATIVIDADE PÁGINA 41 -CADERNO IV LINGUAGENS
A metáfora da árvore nos mostra que
as raízes representam a fundamentação teórica estudada, o tronco simboliza a
pesquisa, o método utilizado, os galhos e as folhas são as atividades
desenvolvidas e os frutos representam os registros reflexivos.
A questão do fazer pedagógico tem
sido bastante discutida, porém uma educação de qualidade está diretamente
condicionada ao fato do professor compreender que o seu fazer pedagógico é
também determinante para desenvolver o intelecto dos alunos e por via de
consequências as dimensões sociais.
Porém, para fazer essa relação do
professor pedagógico com o processo de ensino e aprendizagem, é necessário
falar sobre as práticas educacionais, uma vez que o professor poderá organizar
uma ação adequada para as reais necessidades dos alunos.
O saber não chega sem a procura, e
os docentes precisam se conscientizar de que o fazer pedagógico só tem
eficiência quando mudamos nossa prática educativa buscando atender às
necessidades reais e urgentes dos nossos alunos. Segundo Tardif (2002, p. 118),
“ao entrar em sala de aula, o professor penetra em um ambiente de trabalho
construído de interação humana.”
Um dos grandes desafios dos
educadores é penetrar no mundo real dos alunos, e isso acontece quando estes
acreditam no trabalho que os mesmos realizam na co-autoria de seus fazeres.
O fazer pedagógico de qualidade
protocola os alunos, eleva sua auto-estima, fazendo o próprio educando confiar
em suas potencialidades e apesar de muitos virem de uma realidade social cruel,
somente através do trabalho desenvolvido pelo professor conseguem acreditar que
é possível mudar sua qualidade de vida.
A escola é um ambiente muito
diversificado, onde as práticas variam de acordo com os professores que as
realizam. Porém, em qualquer prática executada deve-se haver um planejamento,
pois este possibilitará ao docente expor de maneira mais clara e eficiente os
conteúdos ministrados para seus alunos.
Atualmente, existe a utilização
da tecnologia como prática pedagógica, porém ainda muitos docentes encontram
dificuldades na sua utilização pelo fato de manterem enraizadas as
características do ensino tradicional, e não saberem ajustar satisfatoriamente
esse recurso a sua prática pedagógica.
Devemos contextualizar a
realidade atual com as realidades vivenciadas pelos alunos, para que percebam o
seu cotidiano mais próximo do ambiente escolar em que estão inseridos.
O ensinamento que na sua prática
busca a melhoria social e intelectual dos seus alunos, acreditam que os mesmos
são capazes de reescrever sua própria história.
E.E.E.F.M. COMPOSITOR LUIS RAMALHO
PACTO PELO FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO
ALUNAS: ADEILMA BASTOS; LILIANE ALVES; JOANA D'ARC E RITA DE
CÁSSIA
PROFESSORA FORMADORA: ANA BETANIA DO NASCIMENTO
GRUPO IV
ATIVIDADE
DO CADERNO IV - PÁGINA 14
- ATIVIDADE SOBRE O FILME
Kaspar Hauser é um homem que se
apresenta alheio às questões da sociedade; inclusive, descobre-se, a partir de
uma autópsia, que durante a vida, parte de seus problemas relacionava-se a um “
defeito” no cerebelo. Daí pergunta-se, será que o defeito no cerebelo tem a ver
com a sua ausência de contato e formas de desenvolvimento da linguagem?
A personagem é representada como
alguém que não compreende certos mecanismos e formalizações semânticas, pois
foi desde cedo ceifado do contato social e do aprendizado em comunidade.
O filme nos mostra diversas fases da
vida de Kaspar Hauser, contudo o que percebemos durante a assistência e
reflexão acerca do longa é que nas várias fases se sua existência a personagem
em questão vai encontrar desafios e obstáculos relacionados à linguagem, pois o
nosso modelo social está centrado na palavra e em diversos códigos que quem não
os domina está fadado à exclusão, chegando a ser comparado como anormal, para
isto o filme nos proporciona a passagem do circo, em que todos aqueles que não
estão inseridos no paradigma hegemônico é considerado exótico e sua função na
sociedade se resume a ilações extra-cotidianas.
Podemos concluir com esse filme que a
linguagem é fundamental na vida do ser humano e que a imposição de um padrão
hegemônico de linguagem (a escrita) ainda exclui, porém não é só a escrita; a
linguagem verbal também se torna hegemônica, quando temos um país com histórico
de exclusão, e que exclui sistematicamente as pessoas que não se encaixam nesse
padrão. O estado brasileiro não se constrange em violar sistematicamente os
direitos humanos e caminhar lentamente em busca de reparar esses danos sociais.
E.E.E.F.M. COMPOSITOR LUIS RAMALHO
PACTO PELO FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO
ALUNAS: ADEILMA BASTOS; LILIANE ALVES; JOANA D'ARC E RITA DE
CÁSSIA
PROFESSORA FORMADORA: ANA BETANIA DO NASCIMENTO
ATIVIDADE
DO CADERNO IV - PÁGINA 41
A linguagem é um fenômeno social que
acompanha a humanidade desde as épocas mais remotas. A sua origem ainda é um
enigma para os estudiosos mas mais diversas áreas. Contudo, sabe-se da
importância desse fenômeno para o salto qualitativo da evolução do homem. A
partir da linguagem, complexificou-se as relações sociais.
Sabemos também que a linguagem faz
parte das práticas e das interações sociais e das representações de mundo a
qual a esta nos dar suporte para a compreensão e tomadas de decisões.
A linguagem desde a sua origem que se
manifesta no sentido de evoluir, porém é perceptível que na era digital o fator
comunicação e linguagem deu um salto nunca antes imaginado na história da
humanidade.
Nesse sentido, percebemos que no
nosso componente curricular a linguagem, sobretudo a da internet, vem ganhando
cada vez mais significado na nossa relação com o ensino- aprendizagem. A
metáfora da árvore nos remete aos nosso conhecimentos pedagógicos. Imaginar as
partes daquela árvore nos remete ao nosso trabalho pedagógico em que teremos/temos
uma base- abordagem filosófica a nos ancorar é dela que sairá o que queremos
explorar; ela nos sustenta, assim como as raízes de uma árvore a embasar o
ensino-aprendizagem. Por outro lado o tronco da árvore assemelha-se ao método,
pois é ele que liga a raiz ao objetivo final que é a experiência pedagógica, é
o que liga o invisível (raiz-abordagem) ao visível (folhas-prática). Por fim,
as folhas são o nosso resultado final, é a nossa técnica, a nossa prática
cotidiana e que mostra de forma explícita o fazer pedagógico. No caso da
linguagem, se coloca como algo que se percebe como essa interação, reflexão,
ação com o mundo e seus significados.
Nesse sentido, o nosso componente
busca abordar a linguagem a partir do âmbito das artes, da língua portuguesa, fazendo
com que o educando compeenda o mundo de uma forma crítica e subjetiva; é
importante perceber também que as formas de abordagem podem ser as mais
diversas, como a partir da crítica marxista e o formalismo russo até mesmo de
leituras mais pós modernas e semióticas; o mais importante é garantir o
pluralismo de abordagens e pedagógicos e apresentar ao nosso educando diversas
formas de ler- interpretar o mundo.
A compreensão e apropriação da
linguagem, dos seus significados e seus significantes são o objetivo final de
uma educação libertadora, emancipadora, crítica e desalienante dos nossos
educandos.
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