segunda-feira, 9 de junho de 2014



Professora Cursista :  Adeilma Carneiro Bastos  

Educação Alimentar e Nutricional: uma perspectiva integradora 

O alimento é muito mais que cultura, pois ele é um elemento vital para o ser humano. Contudo, podemos refletir sobre os alimentos a partir dos mais diversos enfoques socioculturais.   O alimento e alimentar-se fazem parte das mais diversas culturas, e muitas vezes a forma de se articular em torno de tal ato é complexa, podendo ser ritualística, comemorativa, tradicional, necessária e excessiva.
As artes desenvolvem relações antigas com alimento e da colheita desses, basta lembrarmos acerca do nascimento do teatro grego que está diretamente ligado às festas de louvação a Dionísio, responsáveis e protetoras pela colheita e pela fartura. Já o cinema, sempre que pode, dá uma passeada pela temática alimentícia, a exemplo de A festa de Babete e o surrealista Como água para Chocolate.
Nas religiões o alimento sempre aparece como parte mística do culto, o cristianismo aponta o pão como tão vital tanto quanto a adoração ao Cristo; já religiões de matriz africana, como o Candomblé terminam os seus rituais com o Ajeum refeição comunitária em que todos se congraçam após o culto aos seus deuses.
Isso demonstra a importância do alimento na história da humanidade, sendo este responsável, inclusive pelos longos deslocamentos que fizeram o povoamento de parte do planeta. O alimento, ou a falta dele, ainda é motivo de vergonha mundial, quando temos crianças as quais ainda morrem de inanição e subnutridas por não terem o que comer. A fome ainda é um problema social sério; um país das dimensões territoriais do Brasil, ainda precisar ter programas de transferência de renda conhecido popularmente de “Fome Zero”.

Diante do que exposto, compreendemos a necessidade de se buscar uma discussão que envolva os educandos e a escola no que toca à alimentação dentro e fora da escola, a sua importância, os traços e hábitos culturais em torno do que é alimentar- se e o que isso significa para os mais diversos cidadãos. Para isso, propomos uma relação curricular em vários aspectos. Primeiramente, o grupo das ciências humanas podem organizar-se em torno das disciplinas de história, artes, geografia e língua portuguesa para um estudo que poderia passar pela origem das migrações, e como o fator da escassez dos alimentos contribuiu para o deslocamento e para o povoamento de outros territórios (geografia e história); a utilização dos recursos naturais para a produção de alimentos, a exemplo da água, do solo, o uso de agrotóxicos, de plantas geneticamente modificadas (aí envolveria não só a geografia, mas a biologia e as ciências como a química e a física); os conflitos de terra, o agronegócio, o latifúndio, as formas de exploração da terra e do homem e a produção de alimentos para a importação passam a ser de importância das áreas de geografia e história; as noções de sustentabilidade e consumo consciente também são elementos relevantes à discussão.
No que tange as artes pode-se trabalhar na perspectiva de análise de obras (como os de natureza morta) nas suas mais diversas épocas, e com que objetivo, além de percorrer a arte cinematográfica que contém dezenas de filmes que abordam a temática.
Um campo saber bastante privilegiado para a discussão de segurança alimentar enquanto caráter vital e a biologia, pois lá poderemos perceber desde a composição dos alimentos até mesmo a sua relevância no organismo dos seres humanos; a química também há um desempenha um papel importante no estudo das cadeias carbônicas, pois aí estão muitas respostas para a reação de determinados alimentos no organismo.
A língua portuguesa pode desenvolver muitas funções nessa perspectiva, uma vez que pode trazer uma receita para estudarem-se os gêneros textuais e tipos de composição, alem das funções da linguagem envolvidas nas receitas, por exemplo.
Existem inúmeras abordagens de abordagem de tal tema, mas é muito importante que os alunos sejam e estejam informados sobre a noção de segurança alimentar nos seus mais variados prismas, além e, sobretudo que tenham o direito a uma alimentação de qualidade pensada e repensada nos moldes da construção de uma cidadania pró-ativa e sustentável, que ultrapasse o campo teórico e que nossos educandos tenham de fato, uma alimentação de qualidade nas escolas, estas deixam
ainda hoje, muito a desejar, posto que são pobres nutricionalmente e muitas vezes mal preparadas por falta de capacitação dos agentes nutricionais das escolas. As capacitações devem existir para todos os cidadãos envolvidos com o processo de ensino-aprendizagem. 

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